quarta-feira, 22 de outubro de 2008

E mais um final (in)esperado...


Convivemos semana passada com a angústia e tensão do maior seqüestro em cárcere privado do Brasil, o caso da menina Eloá, e, para variar, o final foi mais uma vez trágico.
Há cerca de um ano, o filme “Tropa de elite” foi um sucesso e um dos temas centrais do longa era a rigidez dos testes aos que os policiais eram submetidos para ingressar no BOPE. Quem viu a produção pensou que talvez aquela fosse a polícia mais preparada que poderia haver. No entanto, no caso do ônibus 174, o que se viu foi um desastre, onde o término foi a morte da refém por um integrante do BOPE e, depois, do próprio seqüestrador, também morto pelos policiais deste grupo especial.
No último dia 13, em São Paulo, um jovem de 22 anos chamado Lindemberg invadiu uma casa e fez duas meninas de 15 reféns. Na terça-feira, em troca de ter a luz elétrica do prédio onde mantinha o cárcere, libertou umas delas, a jovem Nayara, e pasmem, a polícia coloca a refém dentro do apartamento na quinta-feira (talvez o Brasil seja o único lugar do mundo onde uma refém após ser libertada volte ao cativeiro, e com o total apoio da polícia). Na sexta, o seqüestro tem um fim, e você deve ter ficado aliviado com a notícia, sem saber o que vinha depois: as duas meninas foram feridas e uma delas fatalmente, em uma operação desastrada do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais).
O crime durou cinco dias, nesses com constantes aparições na janela, inclusive de Lindemberg, com contatos com o exterior do apartamento para pegar comida e, como o rapaz não era biônico, acredito que com noites de sono dos que estavam lá dentro. E a polícia, o que fez durante tanto tempo e tantas oportunidades? NADA!
Não consigo entender porque tanto treinamento, disciplina e táticas especiais para um final patético como o que houve, em que eles não conseguiram nem prever que talvez houvesse uma barricada atrás da porta, onde um policial demorou um bom tempo para subir uma escada e quase não consegue entrar pela janela. Para completar o circo, não conseguiram tirar as reféns sãs e salvas.
Talvez todo o nervosismo da população fosse justificado. Prevíamos talvez o que aconteceria; sabíamos que se não contássemos com a boa vontade de Lindemberg e dependêssemos unicamente da estratégia da polícia e do GATE, o final era anunciado.
Esperamos que esse caso sirva de aprendizado, e que eles aprendam rápido, porque não queremos mais vidas em jogo!
Ás vezes, o destino é realmente irônico tanto quanto cruel. Minutos antes de publicar esse texto, soube que o pai de Eloá é um foragido da polícia, por ser acusado de assaltos e homicídios enquanto integrava uma milícia em Maceió. É, caro leitor, como as coisas acontecem...

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