quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Não nos entendemos, ó pá!


Em meados de 2008 começaram a surgir na mídia notícias sobre a unificação linguística entre os oito países que falam a língua portuguesa (Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, Timor Leste). Na ocasião, a primeira pergunta que me veio à cabeça foi “Para que unificar as línguas?”, e um noticiário televisivo, quase que instantaneamente, respondeu em forma de reportagem que era para facilitar relações comerciais com os países de língua portuguesa. Achei aquilo muito engraçado, pois achava que nunca tínhamos tido problema quanto a isso, afinal, já havia alguns anos que escutava que o Brasil só crescia no quesito exportações.
E no primeiro dia de 2009, quando o acordo ortográfico entrou em vigor, já começaram minhas dúvidas: daria “Feliz Ano Novo” com hífen ou sem hífen? Mas, a grande verdade é que, apesar de o novo acordo permitir que a língua portuguesa deixe de ser a única com duas grafias e, assim, ser classificada como oficial pela UNESCO, as mudanças não serão muito úteis, seja para qualquer povo de um dos países citados, pois nós continuaremos a falar o famoso “brasileirês”. Sim, “brasileirês” foi a melhor forma que consegui para caracterizar o que é falado no Brasil, que com certeza não é o português e cheguei a essa conclusão depois de ver que um texto de nossa língua vinda do outro lado do oceano nos faz entender tanto quanto o mandarim, ou seja, absolutamente nada. Será que se fosse a mesma língua teríamos tanta dificuldade de nos compreender? Teríamos tantos falsos cognatos?
Podemos tirar como exemplo Estado Unidos e Inglaterra, que falam o inglês, cada um na sua forma e pronúncia, e nunca se mexeram para fazer acordos ortográficos e estão entre os países mais desenvolvidos do Mundo. Isso nos faz pensar que o acordo só criará uma língua superficial, usada somente em documentos oficiais e na escrita, mas que não tornará mais fácil o entendimento entre um angolano e um moçambicano, por exemplo.
Temos que lembrar ainda que a língua portuguesa é tida como difícil e que boa parte da população não a fala nem a escreve corretamente e mudanças nessas proporções podem e vão tornar o português ainda mais difícil para aprendizagem. Certamente isso vai afastar ainda mais os brasileiros da gramática, dos dicionários e dos livros, fora os custos para que todas as modificações sejam feitas.
Para mim, a unificação terá baixa relação custo-benefício e para nós, falantes e comunicadores do português, fará pouca diferença, pois a pronúncia continuará a mesma, ou seja, continuaremos com o nosso bom e velho “brasileirês”.
Ah, antes de encerrar, gostaria de dizer que teremos que informar ao Bill Gates sobre o acordo, pois inúmeras vezes, enquanto escrevia esse texto, o word me corrigiu, como quando escrevi “linguística’ sem trema e o programa, se achando muito inteligente, colocava o agora extinto sinal gráfico. Pelo menos por enquanto, sou mais esperto que a máquina!

Um comentário:

Jamile Mello disse...

Te dou toda razão..(coisa rara..ahhaha)até parece que para uma pessoa que nem teve oportunidade de estudar e que smp só trabalhou essa mudança na gramática vai mudar a vida dela..e cai entre nós a de ninguem.Só vai dar dor de cabeça qnd tivermos que escrever um texto de trabalho..pq no dia-a-dia isso não faz diferença..e em relação às relações internacionais hj em dia a língua inglesa tem um enorme domínio tanto que brasileiros e outros povos tem que estudar o inglês e se dedicam agora o português é levado e não estudado arduamente(só qnd no colégio tem prova de português ai as pessoas estudam,mas de resto não-exeto qm estuda letras),ou seja unificar a língua portuguesa não vai fazer o Brasil ser desenvolvido.. pois é só ver quais são os países que falam português e os q falam inglês..lógico que o brasil tem melhorado muito,mas nada comparado com outros países desenvolvidos!!